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Encontrei Lygia Clark no Paço Imperial do Rio de Janeiro, depois de participar do Corpo coletivo, na inauguração da exposição retrospectiva de sua obra no 9° Salão Nacional de Artes Plásticas, quando ela se deparou então com os Bichos encerrados em caixas-gaiolas transparentes que impediam a manipulação pelo público. A sua reação foi imediata, mas não havia o que fazer, pois já não lhe pertenciam mais, e os novos proprietários temiam que fossem danificados com a manipulação – o que motivou a confecção de réplicas para futuras exposições.

Muitos anos depois, enquanto escrevia sobre a memória do Corpo coletivo e explorava o desenho no espaço, nasceram outros bichos, manipuláveis e de equilíbrio instável (propensos a rolar e a subir pelas paredes), provisoriamente guardados em gaiolas transparentes.

E alguns anos mais tarde, quando uma amiga, querendo levar um para casa, pediu mais informações sobre os bichos, respondi (por experiência própria) que isso depende da índole do bicho, e do que lhe vem à cabeça. Os pequenos gostam de trepar nas estantes e de subir pelas paredes. Os maiorzinhos são mais afeitos a mesas, mas também trepam em estantes. Os mais taludos costumam se equilibrar em tampos de mesa. E os grandes, além das mesas, gostam de pular para o chão. O que têm em comum é que, não importa o tamanho (de qualquer modo, sempre variável), todos gostam de mexer com o equilíbrio de quem mexe com o deles.

SOLTE O BICHO/MANTENHA O EQUILÍBRIO

>  (outros bichos)

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